Discurso de Collor marca sessão do impeachment e ainda repercute no Brasil

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Plenário do SenadoNa noite da última quarta-feira (11), precisamente às 22h58, o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL) se dirigiu à tribuna do Senado, na sessão que analisou a admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Um plenário lotado, que vinha mantendo um comportamento barulhento, resguardou o silêncio. As atenções de todo o Brasil se voltaram para o discurso do parlamentar alagoano. Ao concluir seu pronunciamento, intitulado de “Ruínas de um Governo”, em que sustentou de forma clara seus argumentos para o voto “sim”, ele recebeu o reconhecimento de seus pares. Logo em seguida, as redes sociais, os telejornais e os sites de notícia da imprensa brasileira classificariam o discurso do senador como “histórico”.

No site da revista Época, a matéria jornalística intitulada “Por que o plenário ficou em silêncio para ouvir o discurso de Collor?” detalhava ponto a ponto os motivos que levaram os presentes na sessão a ficarem em estado de atenção durante o pronunciamento. O portal de Notícias “Uol” classificou como histórico o pronunciamento do ex-presidente. Nos telejornais, os apresentadores chamaram durante toda a transmissão da sessão a atenção para trechos do discurso do senador, ressaltando que o processo em que Collor foi vítima, em 1992, “foi muito mais rápido do que o atual”, visto que o de Dilma tramita há oito meses.

Os jornalistas e blogueiros alagoanos Luis Vilar e Voney Malta também destacaram pontos do discurso do senador Fernando Collor no portal de notícias CadaMinuto. “Então, Collor acerta o tom do discurso (…). Foi de Collor o melhor de todos os discursos, pela serenidade e precisão. Collor mostrou uma grandeza que não é comum em nosso Congresso Nacional (…)”, escreveu Vilar em seu blog. Para Voney Malta, um ponto importante tratado por Collor diz respeito ao fato do sistema político brasileiro está deteriorado e em ruínas. “O que é verdadeiro porque, tudo indica, estamos recomeçando um novo ciclo de instabilidade política. Por isso é fundamental que ocorra um entendimento e seja discutido com profundidade e responsabilidade a reforma política”, escreveu Voney Malta.

“É crime de responsabilidade a mera irresponsabilidade com o País, seja por incompetência, negligência ou má-fé. Mas não foi por falta de aviso. Nos raros encontros com a presidente, externei minhas preocupações. Alertei-a sobre a possibilidade de sofrer impeachment. Coloquei-me à disposição e não fui escutado. Relegaram minha experiência”, expressou Collor na tribuna do Senado Federal. Logo em seguida, as repercussões dos argumentos do ex-presidente tomaram conta das redes sociais, sendo o assunto mais comentado nos Trending Topics do Twitter naquela noite e manhã de quinta-feira.

Em suas redes sociais, Collor ainda recebe milhares de mensagens de internautas de todo o Brasil, reconhecendo a contundência do discurso, a exemplo de Simone Von Sohsten. “Na sessão do Senado, quebrei um paradigma e aprendi muito com seu discurso. Eu estava torcendo pelo impeachment e até lhe enviei e-mails pedindo que votasse a favor. Agradeço o respeito que teve comigo ao me responder prontamente e, ainda que seu voto tivesse sido diferente, seu discurso mudou a imagem que eu tinha a seu respeito. A forma serena e digna como se pronunciou me fez passar a admirá-lo e a perceber a sua história de uma outra forma. Que bom que, como você mesmo disse, a história lhe reservou este momento”, expôs a internauta.

Na página que Collor mantém no Facebook com mais de 98 mil curtidas, a internauta Vanessa Gurgel também reconheceu no discurso do ex-presidente o retrato da realidade do Brasil, sobretudo, aponta ela, acabando com a tese do “golpe” “Definitivamente, o melhor discurso da noite foi o do ex-presidente. Ele simplesmente deixou claro o que há oito meses os brasileiros tentavam entender, acabando de vez com a palavra golpe. Foi o discurso mais claro, elegante e inteligente, deixando todos os senadores presentes perplexos com olhos vidrados nele e o silêncio absoluto imperou. Seu discurso merece entrar para os livros de história, para que não haja dúvida do quanto o Brasil evoluiu democraticamente e que definitivamente não houve golpe algum nesse processo”, postou Gurgel.