EUA x Rússia: Collor diz que momento exige reflexão e ponderação

11 abril 2017
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Categoria: Notícias
11 abril 2017, Comentários: 0

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O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), senador Fernando Collor (PTC/AL) defendeu, durante o segundo painel do ciclo de debates na noite desta segunda-feira (10), que o momento atual vivenciado por um mundo preocupado exige reflexão, ponderação e freio em “certos protagonismos”. A declaração em tom de alerta se deu diante do crescente embate entre os Estados Unidos e Rússia após o bombardeio norte-americano a uma base militar na Síria. Nesta segunda, o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, o professor Creomar de Souza e o consultor Joanisval Gonçalves debateram sobre o tema.

Collor lembrou que, há 15 dias, a CRE deu início ao ciclo de debates “O Brasil e a Ordem Internacional: Estender Pontes ou Erguer Barreiras?” e, à oportunidade, a conjuntura mundial era diferente da que se encontra hoje. “O cenário mudou rapidamente, bastando para isso uma atitude unilateral passando por cima da ONU. O tema abordado, hoje, foi pensado há algumas semanas, mas está perfeitamente adequado ao momento atual. Neste contexto, exige-se reflexão, ponderação, freios em certos protagonismos e, sobretudo, diálogo”, defendeu Collor.

Ao prometer que defenderá com agressividade a soberania americana em política comercial, Trump está colocando em pauta o não cumprimento de direitos e obrigações assumidas e a boa fé dos Estados Unidos no trato internacional. A avaliação é do professor e jurista Celso Lafer. Para ele, o mundo encontra-se hoje diante de um período de incertezas.

“É preciso ver o desdobramento da intervenção militar na Síria, a reação da Rússia e do Irã para saber quais são os próximos passos, em função da reação desses atores. O Oriente Médio é fonte de grande incerteza, com Estados falidos, em guerra civil, refugiados em penca e conflitos regionais e internacionais. A Coréia do Norte é problema da maior magnitude, por possuir armas nucleares”, considerou ele.

Para o professor Creomar de Souza, a Pax Americana, vista como um consentimento vinculado à postura de hegemonia nas relações internacionais pode ter existido em um curto período da história recente, mas enfrenta hoje um processo de contestação em várias ordens. Ele apontou o crescimento da China em termos de desafio de segurança; o renascimento da Rússia via governo Putin, e a ideia de neo-eurasianismo, como ente libertador da Europa eslava.

Creomar ressaltou ainda o surgimento da Coréia do Norte, com sua diplomacia de comida por armas, de acesso a alimentos, para diminuir a velocidade de programa ou capacidades nucleares; e o terrorismo de matiz, que vai se tornando um elemento de contestação muito forte à Pax Americana e àquilo que ela representa, como a liberdade de comércio e os direitos humanos.

Por sua vez, o consultor Joanisval Gonçalves ressaltou que os Estados Unidos estão diretamente envolvidos como potência hegemônica no sistema internacional há pelos menos 100 anos.  Gonçalves, que acompanhou as eleições americanas de 2016 no estado de Ohio, afirmou que “os dois grandes eleitores de Trump foram Barack Obama e Hillary Clinton”.”Trump efetivamente venceu as eleições. Ele jogou as regras do jogo político e venceu. O sistema político existente há mais de duzentos anos estabelece que, ainda que se ganhe por maioria popular, há que ganhar no colégio eleitoral. E assim ele o fez”, expôs

O consultor ressaltou ainda que Trump, acima de tudo, é um “homem de negócios”, e que a perspectiva do presidente americano irá mirar sempre nessa direção. “Trump é o primeiro presidente dos Estados Unidos que nunca ocupou cargo público, posição ou cargo no governo ou foi membro das Forças Armadas. Ele conseguiu falar a língua do americano médio, sendo bilionário e pertencente à elite da potência mais rica do planeta”, completou.

O terceiro painel da CRE sobre política internacional ocorrerá em 24 de abril e terá como  tema “O cetro do czar: o papel da Rússia na geopolítica global”. As transmissões das sessões são realizadas ao vivo pela TV Senado.

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