Collor defende que Brasil assuma protagonismo diplomático na América do Sul

30 março 2017
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Categoria: Notícias
30 março 2017, Comentários: 0

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O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) senador Fernando Collor Mello (PTC) defendeu, na sessão ordinária desta quinta-feira (30), que o Brasil assuma o papel de protagonista nas discussões relacionadas à diplomacia na América do Sul. O senador lembrou que, apesar de o mundo apontar o país como líder do continente, o Brasil não exerce essa função nas discussões da própria região. Ainda na sessão, a CRE rejeitou o projeto do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) que traz modificações no controle sanitário de produtos agropecuários importados nas formas in natura ou semi-improvisada.

Durante os debates realizados na comissão, o senador Cristovam Buarque (PPS) pediu ao presidente da CRE que interceda junto ao Itamaraty para que problemas diplomáticos com Cuba, Venezuela e Coreia do Norte sejam solucionados o quanto antes pelo governo brasileiro. Buarque lembrou que, mesmo com as diferenças entre os países, o Brasil deve exercer uma função diplomática, de governo, e não ideológica. Collor aproveitou para reforçar a necessidade de se erguer pontes nas relações continentais, assumindo assim um papel de protagonismo.

“Uma reabertura de diálogo com Cuba e Venezuela é necessária. Não é bom que esse quadro atual permaneça por mais tempo. Em breve, vamos discutir também a moção dos países integrantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) contra o presidente Nicolás Maduro. Precisamos ver a posição do Brasil nesse contexto. Crises internas, de ordem política e econômica, não são motivos para uma decisão tão forte. São discussões como essas que o nosso país deve liderar na região, naturalmente”, exemplificou Collor. Os Estados Unidos da América (EUA) defendem uma intervenção da OEA na Venezuela.

Venezuela e Cuba retiraram seus embaixadores do Brasil em virtude do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o que consideraram “golpe de estado”. Em consequência, o então embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira, também foi chamado de volta pelo governo de Michel Temer. Em seu pedido, Cristovam ainda solicitou ao senador Collor que tratasse da normalização das relações com a Coreia do Norte. O Brasil está sem embaixador em Pyongyang há mais de um ano, à despeito da nação asiática manter sua representação aqui normalmente.

O senador Fernando Collor lembrou ainda que o quadro na Venezuela é apenas uma das tensões que o continente latino-americano enfrenta atualmente. “O Brasil se coloca de forma tranquila como parceiro confiável desses países, sendo considerado, inclusive, líder pelo ocidente na América do Sul. O nosso país não pode se ausentar dessas discussões. O Brasil precisa construir pontes e estas são necessárias para resolver as tensões que existem hoje no nosso continente”, reforçou o presidente.

Diante do contexto mundial, Collor propôs e a CRE iniciou na última segunda-feira (28) o ciclo de debates “O Brasil e a ordem internacional: estender pontes ou erguer barreiras?”. Até o final do ano diversos especialistas com nome de peso serão convidados pelo colegiado e vão até o Senado Federal para debater sobre os problemas locais, internacionais e o papel do país nessa realidade.

Projeto rejeitado 

Com base nessa conclusão do relatório de Ronaldo Caiado (DEM-GO), a CRE rejeitou o projeto do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Caiado reconheceu que inicialmente apoiou a aprovação da proposta, tendo inclusive atuado nesse sentido quando a relatou na Comissão de Agricultura (CRA). Ele disse que considera o deputado Heinze um “defensor do agronegócio”, mas que, após reunir-se com técnicos do Itamaraty e do governo federal, decidiu agora pela rejeição do texto.

“O fato é que se uma proposta como esta virar lei, certamente gerará contenciosos no âmbito do Mercosul e da OMC [Organização Mundial de Comércio], podendo resultar em sanções comerciais por parte de importantes mercados a nossos produtos”, disse o senador goiano. Caiado reforçou ainda que a aprovação do projeto enfraqueceria justamente uma das maiores batalhas do Brasil na OMC, onde o país questiona medidas fitossanitárias que “distorcem o comércio mundial, prejudicando nossa indústria agroexportadora”.

Durante a reunião, a comissão também aprovou, a pedido de Jorge Viana (PT-AC) e Ana Amélia (PP-RS), a realização de uma audiência pública com autoridades do Itamaraty e do Ministério da Justiça para debater o tráfico de drogas, armas e pessoas nas regiões de fronteira, em razão de disputas entre facções criminosas existentes hoje nesses estados. A data da audiência ainda será definida em comum acordo com os órgãos convidados.sua representação aqui normalmente.

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