Collor alerta que Brasil não deve adotar posição isolacionista

25 abril 2017
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Categoria: Notícias
25 abril 2017, Comentários: 0

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O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL) alertou, nessa segunda-feira (24), que o Brasil não deve adotar uma posição isolacionista, mantendo-se como “um país aberto ao mundo”. A declaração do parlamentar se dá diante da crescente reação aos imigrantes que fogem de seus países que estão em guerra. Na noite dessa segunda, o colegiado realizou o 3º painel de debates intitulado a Rússia e seu papel na geopolítica mundial. Os participantes apontaram que potências ocidentais atuam historicamente para isolar a nação eurasiana para impedi-la de exercer uma influência mais ampla sobre blocos de países fora do leste europeu.

Durante os trabalhos da comissão, o senador recebeu dezenas de e-mails de internautas que projetaram na ideia de isolacionismo um caminho que o Brasil deveria adotar em sua política externa, sobretudo, no que diz respeito aos imigrantes que peregrinam em busca de um local para fugir da morte certa em seus países de origem. Collor acredita que as discussões realizadas na CRE podem mostrar uma nova realidade para estas pessoas, inclusive, ressaltando um contexto que muitas vezes não tem espaço nas TVs.

“Essas ponderações, afirmações e indagações dos internautas nos fazem pensar, avaliar e ponderar todo o contexto em si. Em sua maioria, eles dizem que o caminho para o Brasil é o de erguer barreiras. Estes obstáculos significam adotar a política feita por Donald Trump, de isolar-se do mundo, seja no protecionismo comercial ou até mesmo no de proteger os seus das pessoas que estão fugindo de uma guerra que não são delas. Elas estão entrando pela Europa, atravessando o mediterrâneo e morrendo neste processo. As imagens estão aí e são pungentes”, expôs.

Para Collor, ao criar-se barreiras uma pergunta deve ser feita por cada um: Qual é o Brasil que queremos? O que estende pontes da amizade, da confraternização entre nações, da cooperação internacional? Ou um país que se isola do mundo afastando todas as outras possibilidades de desenvolvimento que foram criadas por décadas?

“Do que adianta nos isolarmos do resto do mundo? Acredito que não devemos ter receio de nada, continuando, assim, abertos às nações, sendo um país amigo e fraterno como sempre fomos. Precisamos estar de braços abertos. A nossa grandeza deve-se muito aos imigrantes em todas as etapas de nossa existência. Não devemos ter receio disso”, frisou.

Sessão sobre o papel da Rússia

As análises dos convidados da Comissão de Relações Exteriores se concentraram na figura do presidente Vladimir Putin e em seu papel na condução da Rússia através de eventos como a guerra com a Geórgia, em 2008, a anexação da Crimeia e o conflito com a Ucrânia, desde 2014, e a atual crise na Síria. Segundo eles, esses eventos têm relação com a orquestração ocidental e contribuíram para o fortalecimento da liderança de Putin.

O coronel Marco Antônio de Freitas Coutinho, que foi adido militar do Brasil em Moscou, explicou que no início do século 20, com a revolução bolchevique e a formação da União Soviética, a influência russa na Europa passou a ser contida por meio de um “cordão sanitário” geopolítico, devido ao temor de que o comunismo se espalhasse pelo continente. Essa postura se manteve ao longo dos anos.

Para o jornalista português Carlos Fino, que trabalhou como correspondente da Rádio e Televisão Portuguesa (RTP) na Rússia durante a dissolução da União Soviética, essa estratégia foi bem-sucedida em dissociar diversas repúblicas do controle de Moscou, mas mesmo assim ela não desmontou a força do país. Para a professora Lenina Pomeranz, da Universidade de São Paulo (USP), o sentimento interno preponderante entre os russos é pela retomada do protagonismo internacional do país, e o presidente é capaz de encarnar isso.

Gustavo Trompowsky Heck, professor da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), fez uma comparação para projetar o que significaria a continuidade ou o recrudescimento da política de enfrentamento hoje adotada pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Os participantes da audiência pública defenderam uma maior aproximação das grandes lideranças ocidentais em relação à Rússia e a construção de uma cooperação internacional que respeite os interesses de todos os lados. No caso da Rússia, segundo explicaram, isso significa a manutenção de bases navais na Crimeia e na Síria. O fim da escalada militar nessas regiões é visto como uma necessidade.

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