Artigo publicado na Gazeta de Alagoas: Um ponto ameaçado

18 novembro 2016
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Categoria: Notícias
18 novembro 2016, Comentários: 0

                                                             Um ponto ameaçado

 Senador por Alagoas- Fernando Collor (PTC) 

 Quando o astrofísico norte-americano Carl Sagan observou a foto da Terra, captada pela sonda espacial Voyager 1, em fevereiro de 1990, a uma distância recorde de 6 bilhões de quilômetros, nada mais constatou do que um mero e insignificante ponto entre tantos existentes no universo. “Ela deveria inspirar compaixão e bondade nas nossas relações, mais responsabilidade na preservação desse precioso e pálido ponto azul”, afirmou o autor da série Cosmos de divulgação científica, para completar: “A Terra é um planeta finito, com recursos limitados”.

Dois anos após o registro da sonda e as observações de Sagan, que ainda acentuaria preocupação com a sustentabilidade da vida e o crescimento populacional, tive o orgulho de realizar no Brasil, como presidente da República, um evento global histórico: a Eco 92. Com a chancela da ONU, viabilizamos até então a conferência sobre meio ambiente mais importante da história, com a presença de 180 chefes de Estado e de governo. A “Cúpula da Terra” ocorreu no Rio de Janeiro, durante a semana em que se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Vale recordar: há 24 anos, as maiores autoridades de todas as regiões do nosso planeta assinaram cinco documentos da mais alta significância. Primeiro, a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente Sustentável, contendo 27 Princípios. O de número oito, por exemplo, estabeleceu como dever das Nações a redução ou eliminação de padrões de consumo e produção considerados insustentáveis.

Na sequência, a assinatura da Agenda 21, que se caracterizou como um plano de ação abrangente pelo qual foram definidos prazos, metas, projetos, objetivos e mecanismos de execução para diferentes temas enfocados pela Eco-92. O terceiro documento acordado tratou de Princípios para a Administração Sustentável das Florestas, enquanto que o quarto e o quinto consagraram as Convenções da Biodiversidade e da Mudança do Clima. Nessas Convenções, observação especial para a estabilização da concentração de gases que geram o efeito estuda e o alerta contra qualquer ameaça à produção alimentar.

Vinte anos após a Eco-92, representei o Senado Federal na Rio+20, a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que o destino me permitiu ser o autor da proposta para sua realização. Nesse evento, os países renovaram seus compromissos com a sustentabilidade da vida, dedicando capítulo especial à economia verde e ao princípio do não retrocesso, ou seja, não permitir que se reveja o que foi acordado em 1992. O que se conclui, especialmente após as duas últimas Conferências da ONU, é que os esforços valeram a pena e produziram progressos, mas eles ainda são tímidos diante do gigantesco desafio de preservar a vida ameaçada neste “pálido ponto azul” a orbitar no universo.

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